sábado, 13 de setembro de 2008

Gafe americanipônica

Quinta, acordei de ovo virado, tomado por um espírito sindicalista. Fui pra padaria da esquina, determinado a tomar uma providência sobre o tédio da vida workaholic. Ou da não-vida, como preferir. Pedi uma vita-suco com beterraba (tô fazendo meu branding na padoca. Quem mais pede uma vita-suco com beterraba?), um sanduíche de peru light que insisto em corromper, trocando o queijo prato por queijo branco tostado, acrescentando tomate, alface, servido no croissant e um café com leite médio (me irrita café com leite pequeno. Perde toda a nostalgia.), abri um livreto pra lá de interessante: The Perry Bible Fellowship,  do Colonel Sweeto (são quadrinhos de humor ácido e sofisticado, introduzidos em minha vida pelo Drehmer), peguei o telefone e liguei pro meu primo. 
_ Maaaaaarceeeeelllllll bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl... (um grito esganiçado mais ou menos parecido com o de um peru!)
_ Fala, cueca suja.
_ Celo, preciso fazer alguma coisa que me diga que minha vida não se resumiu em trabalho. Tu e a Lu têm planos pra hoje?

Fomos para um sushi. O Mori Sushi, que fica na rua da Consolação, 3610. O lugar é super interessante, com um ar moderno sem deixar de ser aconchegante, pratos gostosos (com a exceção desastrosa que vem em seguida) e bem executados, sem meter a faca. Pedi um temaki de salmão com polvo e molho tarê, hot holl e, na seqüência, um gunkan flambado, porque vi uma bandeja pegando fogo indo até a mesa de duas mulheres (é um sentimento primitivo ser atraíto pelo fogo. Coisa louca...). Furada! Eu achei que se tratava de algo bem elaborado e composto em cima de algum repertório bem resolvido. Um enrolado de salmão que foi assassinado por um recheio grotesco de cream-cheese e salpicadas super mal-feitas de shimeji, tudo flambado no cointreau. Perdeu-se o sabor do salmão e o que ficou foi uma textura massuda e desagradável de quase uma colher de sopa de cream-cheese no meio de cada gunkan. Em resumo, o japonês é apulhado pelas costas por um yankee, banhados em um cointreau ainda com álcool, que resultou num toque de laranja artificial totalmente dispensável. Tudo pegando fogo. Uma legítima cena de horror. Isso sem falar que terminamos os temakis e a metade da odisséia fumegante até chegarem nossas bebidas. A confusão terminou merecendo aplausos de pé quando dois garçons completaram a cena discutindo na nossa frente de quem era a responsabilidade de atender a nossa mesa. Triste.

Responsáveis pelo Mori: vocês fizeram um belo lugar, agradável e interessante, mas ficou claro que falta investir no capital humano. Treinamento é palavra de ordem para um time que quer dar certo.
Espero que vocês corrijam essa falha e que "desamericanizem" um pouco os pratos, deixando o cream-cheese cantarolar em cima de um pão no café da manhã, mas não na comida japonesa. Passou do ponto.
Não digo que não voltarei, porque acredito no poder de transformação das pessoas. Pode ter sido um lapso, um momento infeliz e nós os sorteados. Vai saber!






















É desse lugar que eu tô falando.



2 comentários:

Lu disse...

Eu viciei no queijo minas tostado na manteiga como café da manhã, apresentado por ti quando andei por aí. Toda vez que eu como lembro daquele feriadão aí em Sampa. E me dá saudadessssssss.....
Beijos, gotoso.

Ricardo Cohen Froes disse...

Sou terminantemente contra a americanizacao (ou brasilizacao) dos pratos. Nao curto sushi de morango, sushi de banana, sushi de goiabada...e afins!
Saudade bandido!